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70 anos? Pedro Cabrita Reis faz exposição com "coração livre de cuidados"

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70 anos? Pedro Cabrita Reis faz exposição com "coração livre de cuidados" (Foto: Reprodução)

Esta citação, do poeta grego Hesíodo, serve de título para a primeira exposição individual de Pedro Cabrita Reis no MAAT e que, com curadoria de João Pinharanda, reúne cerca de 200 obras, quase todas inéditas e criadas propositadamente para o museu, que está a cumprir dez anos.

 

"Como toda a gente sabe que sou um vaidoso incorrigível, disse logo para mim que este era o sítio onde eu quero fazer a exposição dos meus 70 anos", disse hoje Pedro Cabrita Reis durante uma visita guiada aos jornalistas.

"Com o coração livre de cuidados" apresenta esculturas e séries de pintura, colagem e desenho com uma variação temática que vai do autorretrato jocoso à relação com a natureza, a intimidade, o corpo e a fé, a partir da obra de alguns nomes da história da arte ocidental, como Monet, Rodin e El Greco.

"Se ela [a exposição] é boa? Não, ela é excelente. Se vai ser apreciada devidamente? Sim, vai! Até nos piores comentários que fizerem sobre ela. Isto é um combate permanente sem inimigo aparente, sem sangue nem ódio. É apenas o acreditar que há coisas que não se podem deixar de fazer", vaticinou.

Para Pedro Cabrita Reis, "não se pode deixar de continuar a acreditar que os museus têm de ter pessoas e que um dia haverá neste país um plano de educação nacional que englobe, a partir do jardim-escola, as visitas a exposições, as idas a concertos e ao cinema".

"Vivemos num deserto de ideias, porque lamentavelmente há demasiadas pessoas inadequadas em sítios onde não deveriam estar", lamentou.

O percurso da exposição começa com "Ridi Paglaccio" (2025), uma série de autorretratos em técnica mista, combinando fotografia, colagem e escrita – que já tinha estado anteriormente exposta em Faro em Vila Nova de Famalicão -, seguindo-se a série "Nymphaea Redux" (2026), de pintura a óleo sobre madeira, com recurso a esfregonas, partindo das paisagens de nenúfares de Claude Monet.

No espaço expositivo está também, por exemplo, a série "Le Musée Secret" (2025), com desenhos figurativos, explícitos e sexuais, que citam desenhos de Auguste Rodin, lado a lado com obras que evocam narrativas bíblicas e da religião católica, como "Adam and Eve" (2026), que evoca as figuras de Adão e Eva num tríptico de cores sanguíneas.

Durante a visita aos jornalistas, a equipa de Pedro Cabrita Reis ainda montou um conjunto de 13 quadros inspirados na obra de El Greco que retratam os 12 apóstolos e Jesus Cristo, uma série acrescentada em cima da hora, porque "uma exposição é uma obra de arte em permanente desenvolvimento".

Para os visitantes que se questionarem sobre a temática religiosa desta exposição, Pedro Cabrita Reis responde que o seu "território de fé é a História da Arte".

"Não tenho angústias existenciais. Tenho um 'frisson', uma inquietação interior que vem do maravilhoso aroma, que de manhã reencontro todos os dias no estúdio que é a tintas a óleo", desvendou.

Ainda sobre o título da exposição, Pedro Cabrita Reis explica que é uma espécie de epitáfio: "Sempre vivi como me apeteceu. (…) Aqui está um gajo que se fartou de viver e bem e com o coração livre de cuidados".

"Com o coração livre de cuidados" fica patente no MAAT até 15 de fevereiro de 2027.

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