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Diretor artístico considera "histórica" reabertura de Teatro D. Maria II

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                    Diretor artístico considera
Diretor artístico considera "histórica" reabertura de Teatro D. Maria II (Foto: Reprodução)

"É absolutamente um momento marcante da história desta instituição, não me parecendo que nos próximos anos, arriscaria mesmo décadas, vá haver uma obra desta dimensão", frisou Pedro Penim em entrevista à agência Lusa nas vésperas de reabertura do teatro, encerrado desde o início de 2023 para obras de requalificação no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

 

A reabertura fora inicialmente projetada para 2024, mas, em novembro de 2023, foi adiada, pela primeira vez, para o princípio de 2025, com atrasos sucessivos.

A reabertura daquele teatro no Rossio tem gerado uma "expectativa muito grande", o que, para Pedro Penim, "é compreensível", já que "as pessoas estão muito ligadas" ao que lá se faz.

"E se é verdade que não parou a atividade, andámos por mais de 100 municípios, não só com espetáculos, mas com uma panóplia de atividades, [e] chegou finalmente o momento de abrir portas aqui do edifício do Rossio e de apresentarmos a nossa programação que está muito imbuída deste tempo em que estivemos fora", acrescentou o diretor artístico do teatro.

Para Pedro Penim, "é óbvio" que o regresso não acontece "da mesma maneira" como a partida.

"Há um legado que o D. Maria tem deixado e que se vai completar agora com esta reabertura", frisou.

A partir de dia 18 e até dia 20, o Teatro Nacional reabre em festa, com várias iniciativas de entrada livre, sujeitas a levantamento de bilhetes, incluindo a estreia da peça "Macbeth", de Shakespeare, encenada por Penim e com um elenco que inclui Bárbara Branco, Hugo Van Der Ding e José Raposo.

Questionado sobre o porquê de reabrir o teatro com "Macbeth", Pedro Penim disse à Lusa que há muito que "gostava de reabrir com um clássico", sem saber qual nem se seria uma obra portuguesa ou internacional.

Após várias leituras e experiências, Pedro Penim acabou por escolher para a reabertura a mesma tragédia de Shakespeare que estava em palco na "fatídica" noite de 02 de dezembro de 1964 quando um incêndio devastou o teatro quase por completo.

Como "Macbeth" é uma peça "que está rodeada de superstições e de maldições", tendo mesmo acontecido muitas coisas estranhas em várias produções, "o incêndio de 1964 veio acrescentar-lhe uma camada ainda mais dramática", notou o diretor artístico.

Por isso, para Pedro Penim pareceu-lhe "por um lado provocatório, por outro lado estabelecendo um diálogo com a própria história do edifício, a instituição regressar a uma peça que nunca mais se produziu" no teatro e que é "obviamente uma peça icónica e fundamental, muito relevante na dramaturgia e ao mesmo tempo tem esta relação muito próxima com o que é a história do D. Maria".

Os três dias de festa da reabertura do D, Maria II vão ter entrada livre e têm como ponto alto a estreia de "Macbeth", na renovada Sala Garrett, pelas 18:00, de dia 18. Às 21:30, o Rossio estará em festa com um espetáculo de 'videomapping' e dos DJ Beatbombers, Marfox e Zengxrl, que se prolongará até à 01:00.

No dia 19, entre as 11:00 e as 15:30 há visitas ao teatro e, pelas 16:00, será lançado o livro "Macbeth", com nova récita de "Macbeth" às 18:00.

As visitas ao teatro prosseguem no dia 20, no mesmo horário da véspera, enquanto para as 16:00 está marcado um espetáculo intitulado "Coro do recomeço", a decorrer em vários locais do edifício e, às 18:00 nova récita de "Macbeth".

"Macbeth" ficará em cena sete semanas, de 18 de setembro a 31 de outubro, com récitas à quarta e quinta-feira e ao sábado, às 19:00, à sexta-feira, às 21:00, e, ao domingo, pelas 16:00.

Com encenação e tradução de Pedro Penim, a interpretar estão Ana Coimbra, Ana Tang, Bárbara Branco, Bernardo de Lacerda, Hugo Van Der Ding, João Grosso, José Neves, José Raposo, June João, Sandro Feliciano, Stela e Vítor Silva Costa.

A produção do D. Maria II tem cenografia de Joana Sousa, figurinos de BÉHEN (Joana Duarte), composição e desenho de som de Filipe Baptista, luz de Daniel Worm d'Assumpção e no apoio dramatúrgico à tradução esteve Maria Sequeira Mendes.

No ponto estão Bárbara Barradas, Carolina Lobato e na assistência de encenação Joana Brito Silva.

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