Macklemore afastado de digressão de Ed Sheeran por apoio à Palestina
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O rapper norte-americano Macklemore foi afastado da digressão do britânico Ed Sheeran, nos Estados Unidos, após manifestar apoio à Palestina durante um concerto, no início deste mês de setembro.
A polémica começou no passado dia 4 de setembro, quando Macklemore, um ativista pró-Palestina de longa data, atuou no concerto de Ed Sheeran no MetLife Stadium, em Nova Jérsia.
Na altura, o rapper, conhecido por temas como "Can't Hold Us" e "Thrift Shop", disse à plateia: "Uma grande parte da razão pela qual quis fazer esta digressão foi para poder subir a estádios como este e dizer duas palavras que me são muito, muito queridas: Palestina Livre."
Depois, cantou "Hind's Hall", uma das suas músicas que condena a ação militar de Israel em Gaza, enquanto imagens da destruição do enclave eram exibidas num ecrã gigante.
Após o concerto, o grupo norte-americano "StopAntisemitism" criticou o rapper, lamentando que "os fãs judeus compraram bilhetes para ver Ed Sheeran cantar... não para serem surpreendidos pela propaganda anti-Israel de Macklemore."
A publicação do grupo pró-Israel foi republicada pela cantora Pink, de família judia, escalando a polémica ao longo da última semana.
Na segunda-feira, Macklemore confirmou, através de um longo comunicado nas redes sociais, que tinha sido afastado da digressão de Ed Sheeran após pressão do bilionário Robert Kraft, proprietário dos New England Patriots e do Gillette Stadium — onde os artistas deviam atuar no final do mês.
Na nota, o rapper, de 43 anos, começou por dizer que não é uma "vítima", tal como Ed Sheeran e Pink, uma vez que todos têm "carreiras, dinheiro, oportunidades, seguranças e públicos em todo o mundo".
"Quaisquer que sejam as consequências que qualquer um de nós enfrente pelo que dizemos, podemos voltar para casa, para junto das nossas famílias. As vítimas são o povo palestiniano", referiu.
Segundo Macklemore, Ed Sheeran recebeu uma chamada de Robert Kraft a avisá-lo de que não permitiria que o rapper atuasse nos seus estádios e que "tinha mobilizado alguns dos outros proprietários de estádios e, em conjunto, fizeram-lhe um ultimato": "Se Macklemore continuar na digressão, não será permitido que atuem nos nossos recintos".
O rapper reconheceu que Ed Sheeran "estava numa situação complicada" e acrescentou que a "posição habitualmente apolítica" do cantor estava a ser posta à prova de uma forma que nunca tinha acontecido.
Descrevendo o britânico como um "irmão", com quem mantém uma amizade há 13 anos, Macklemore lamentou as "conversas difíceis" que tiveram ao longo da semana, que, apesar de terem sido "baseadas no amor e no respeito", "acabaram num ponto de desacordo fundamental".
"Ele disse-me que as palavras 'Free Palestine' ['Palestina Livre'] e a imagem da bandeira palestiniana eram dolorosas para muitas das pessoas com quem falou", escreveu Macklemore. "Eu disse-lhe que, se essas palavras fossem mais ofensivas do que as dezenas de milhares de crianças palestinianas mortas por Israel, então existia uma desconexão fundamental entre a posição dessas pessoas e a minha. Mas ele não conseguia ultrapassar a sua posição pública de 'não tomo partido'."
O artista disse compreender a razão de Ed Sheeran, mas frisou que "quando um dos lados tem as bombas e um apoio financeiro e militar ilimitado por parte da América, recusar tomar partido não significa ficar no meio".
Já num comunicado enviado ao The Hollywood Reporter, os representantes de Kraft frisaram que os seus estádios têm um "compromisso de longa data com a criação de um ambiente acolhedor para todos os espectadores e com a garantia de que os eventos realizados no recinto não proporcionam uma plataforma para discursos de ódio".
"Com base nas ações recentes de Macklemore, no material partilhado a partir do palco durante os concertos de Ed Sheeran em Nova Jérsia e num historial mais amplo de retórica e imagens antissemitas que consideramos profundamente ofensivas e dolorosas para a comunidade judaica, determinámos que a sua participação nos concertos de 25 e 26 de setembro no Gillette Stadium ultrapassaria esse limite", lê-se no comunicado.
O empresário frisou que a decisão "não pretende diminuir o sofrimento dos palestinianos inocentes nem negar a ninguém o direito de defender a sua causa". No entanto, sublinhou que "essa defesa não deve acontecer à custa da comunidade judaica nem obscurecer a responsabilidade do Hamas, uma organização designada como terrorista pelos Estados Unidos e internacionalmente — incluindo pelo Canadá, União Europeia, Reino Unido e Japão — cujas ações horríveis causaram um sofrimento incomensurável tanto a palestinianos como a israelitas".
Sublinhe-se que a ofensiva em Gaza seguiu-se aos piores massacres de sempre em Israel pelo movimento extremista palestiniano Hamas, em 7 de outubro de 2023, em que morreram cerca de 1.200 pessoas e 250 foram feitas reféns.
A retaliação israelita causou mais de 73.000 mortos em Gaza, de acordo com as autoridades locais controladas pelo Hamas, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e centenas de milhares de deslocados.
A ofensiva militar em Gaza motivou acusações de genocídio a Israel, que mantêm altas restrições à entrada de jornalistas e observadores independentes na Faixa de Gaza.
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