Revolta de 1381 "não parece história distante mas sim o futuro próximo"
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"Quando comecei a ler sobre o mundo em 1381, com os oligarcas a proteger os seus privilégios, a corte corrupta e a população enraivecida, senti que não parecia história distante mas sim o futuro próximo", afirmou Paul Greengrass, que escreveu o argumento durante a pandemia de covid-19, numa conferência de imprensa de lançamento do filme.
Os factos remontam ao reinado de Ricardo II, coroado com apenas 10 anos e líder da Inglaterra no rescaldo da Peste Negra, que matou 50% da população europeia. Paul Greengrass escreveu o argumento com a ajuda do historiador Dan Jones, autor de "Sumer of Blood: The Peasants' Revolt of 1381", um livro sobre a revolta editado em 2009.
"Este é um dos primeiros eventos na história em que começámos a ouvir as vozes das pessoas comuns", considerou Dan Jones. "Quando começámos a falar do argumento, havia esta sensação de raiva, um sentimento popular de que a injustiça estava profundamente embebida no sistema, que a lei era corrupta e os agentes da lei usavam-na para proteger os privilégios dos oligarcas".
O filme é protagonizado por Andrew Garfield, que interpreta um homem sem nome, referido apenas como "O Lavrador". É alguém cuja família morreu de peste bubónica e se torna um instigador acidental de uma das maiores revoltas populares da história.
"Ele é um líder relutante", caracterizou o ator Andrew Garfield. "Ele é mais dor que qualquer outra coisa, e há algo transformador na aceitação dessa dor", continuou. "É difícil falar sobre isto porque é sobre o que significa ter uma alma e lutar pela dignidade dessa alma".
O ator considerou que o filme "parece um grito da alma para o preciso momento em que estamos a viver", e conta a jornada de "múltiplos heróis que criam mudança juntos".
O rei Ricardo II é interpretado por Thomasin McKenzie, que tentou humanizar um líder muito problemático. "Ele era tão malévolo que foi difícil. Odeio-o", confessou o jovem ator, sublinhando que o rei era mentalmente instável.
"O seu poder era o assassinato", referiu. A Revolta dos Camponeses permitiu-lhe perceber que estava a ser usado pelos conselheiros e levou-o a tentar lidar com o seu próprio poder. "O rei era o segundo mais importante depois de Deus e ele acreditava nisso", frisou McKenzie.
Mas o filme também explora a rigidez que envolvia as mulheres, mesmo as que estavam mais próximas do poder. A mãe do rei, interpretada por Katherine Waterston, observava tudo sem poder dizer o que realmente pensava. Isso foi um ponto importante para a atriz, que criticou filmes sobre os tempos medievais que dão às mulheres uma realidade mais livre do que a que de facto tinham.
"Gostei muito do silêncio dela neste filme. Verbalizar nem sempre era possível e senti a frustração de não poder falar, o sofrimento que isso acarretava", afirmou Waterston.
O historiador Dan Jones também se debruçou sobre isso, mencionando que um foco atual na pesquisa histórica sobre a era medieval é investigar as experiências das mulheres. "O filme vai ressoar com as audiências", vaticinou Jones, traçando um paralelo com o mundo pós-covid.
"Uma pandemia pode realmente expor uma sociedade e despojá-la de muita coisa. Quando se tem algo como a covid ou a Peste Negra, isso mostra o que realmente existe", salientou. "A reconstrução do mundo depois, como vimos no nosso mundo hoje, está repleta de desafios. À medida que as pessoas tentam proteger a sua posição, à medida que sentem que esta deveria ser uma oportunidade para um novo modo de vida, e depois lhes é negada essa oportunidade".
Paul Greengrass juntou estas dinâmicas num filme que planeou de forma grandiosa, ao estilo "Gladiador": "Queria fazer um filme de grande espetáculo sobre a revolução", afirmou.
"A Revolta" é uma coprodução da Blumhouse Productions, Thank You Pictures e Supernix com distribuição da Focus Features.
A estreia está marcada para 17 de setembro, nos cinemas portugueses.
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